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Citado na Lava Jato, novo presidente do Senado defende fim do sigilo de delações

quinta, 02 de fevereiro de 2017 648 visualizações
Citado na Lava Jato, novo presidente do Senado defende fim do sigilo de delações

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O novo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), defendeu nesta quarta-feira (1º) o fim do sigilo de delações premiadas.

Ele fez a afirmação em entrevista coletiva à imprensa, logo após ter sido eleito para comandar a Casa pelos próximos dois anos.

O peemedebista é um dos políticos citados em depoimentos prestados por delatores a investigadores da Operação Lava Jato.

"Não [defendo] apenas [o fim do sigilo] dessas delações de uma empresa [dos executivos da Odebrecht], mas como todas as delações", disse Eunício Oliveira.

Nesta semana, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, homologou as delações de 77 executivos e ex- executivos da empreiteira Odebrecht  no âmbito da Lava Jato.

Segundo o colunista do G1 Matheus Leitão, a Procuradoria Geral da República, que analisa o material, pedirá ao STF que retire o sigilo dos depoimentos.

Nesta quarta, Eunício Oliveira afirmou também que, caso o Supremo Tribunal Federal retire o sigilo das delações, será preciso "respeitar" a decisão da Corte.

Eunício é citado

Eleito presidente do Senado com 61 votos, Eunício Oliveira foi citado pelo ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho.

Aos investigadores, Melo Filho disse que pagou R$ 2,1 milhões em propina a Eunício que, em troca, defendeu propostas legislativas de interesse da empreiteira no Senado (relembre no vídeo abaixo).

O senador nega as acusações e diz que todos os recursos da campanha dele ao Senado foram recebidos e declarados de acordo com a lei e aprovados pela Justiça Eleitoral. O senador acrescenta que nunca autorizou ninguém a negociar em seu nome recursos para favorecer empresas públicas ou privadas.

Reforma da Previdência

Também nesta quarta, Eunício foi questionado sobre se a proposta de Reforma da Previdência Social enviada pelo governo do presidente Michel Temer – em análise na Câmara – terá tramitação "acelerada" quando chegar ao Senado.

O novo presidente disse, então, que o projeto passará por "debte intenso", porque as discussões sobre o tema são "necessárias".

"A Reforma da Previdência, assim como outras reformas, elas terão um debate intenso nesta Casa. Acho que há necessidade de se debater a Reforma da Previdência, há necessidade de se debater outras reformas", disse.

Ao concluir a entrevista, Eunício disse que a pauta de votações do Senado "não será a pauta do presidente, será uma pauta do colégio de líderes" – é prerrogativa do presidente do Senado pautar os projetos que serão votados em plenário, em acordo com as lideranças partidárias.