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MIRACEMA 74 ANOS / Terra Prometida

Há 100 anos, em meados de 1922, Pedro Praxedes da Silva, nascido em Boa Vista/GO - hoje Tocantinópolis/TO - chegava ao distrito de Pedro Afonso, denominado Piabanha – hoje Tocantinia - na margem direita do rio Tocantins.

No inicio de agosto daquele ano, decidiu mudar para o lado esquerdo do rio – hoje Ponto de Apoio - com a mulher Ana de Abreu Praxedes e os filhos Manoel, Teodoro e Joana, onde se dedicou ao plantio de cana de açúcar e instalou o primeiro engenho da região a fabricar açúcar, rapadura e cachaça. Mais tarde tornou-se também pioneiro no plantio de fumo.

Naquele local que escolheu para viver e trabalhar, em 22 de agosto de 1922 implantou um Cruzeiro (cruz de madeira) e que denominou de Bela Vista, convidando o Frei José de Madri, vindo de Conceição do Araguaia/PA para celebrar a 1ª Missa e batizar o engenho.

EMANCIPAÇÃO
Já nos anos 40, ainda sob o jugo de Santa Maria do Araguaia - hoje Araguacema – o distrito de Bela Vista, foi rebatizado pelo líder e intelectual da época, Américo Vasconcelos, com o nome de Miracema - substantivo feminino que significa ‘Migração dos Povos’ - em homenagem aos indígenas Xerente que habitavam a região.

Conta a lenda que ‘Seu’ Américo, sentado no barranco que hoje é o Ponto de Apoio, contemplava as águas do rio Tocantins, daí o simbolismo, ‘Olhando (mirando) as águas’. Na linguagem Xerente (Akwẽ-Xerénte Krikahâ dawanã hã) ‘Miracema’ é originário do tupi antigo ‘pirasema’, que significa "saída de peixes" (pirá: peixe e sema: saída).

Mirando aquelas águas, ‘Seu' Américo vislumbrava o “Nascer de uma criança”, conforme traduz o ‘Dicionário de Nomes Próprios’, embora Miracema, em tupi-guarani significa literalmente: ¨pau que sai (brota) ¨; ‘mirá (ibirá) + cema’.

No entanto, o então governo Getúlio Vargas proibia a duplicidade de nomes, um fatídico decreto de dezembro de 1943, denominava o distrito com a toponímia de Cherente (com ch mesmo), que prevaleceu até 25 de agosto de 1948, quando João Reis, Américo Vasconcelos, Zacarias Rocha, Elias Bozaipo e Delfino Araújo, foram buscar em Goiânia/GO uma legenda com o então senador Domingos Velásquez, para disputar as eleições, já que o PSD e a UDN estavam nas mãos de um casal em Santa Maria do Araguaia.

Conforme conta em seu livro 'Retalhos de um passado', o escritor Américo Vasconcelos, contra tudo e quase todos do município de Couto Magalhães, João Reis foi eleito prefeito e os amigos elegeram-se vereadores, quando em clima festivo dos habitantes daqui, seguiram sobre lombos de burros por aproximadamente 200 km, até a sede do município para cerimônia de posse, em Santa Maria do Araguaia, hoje Araguacema.

O primeiro ato da nova legislatura foi a Resolução Nº 1, de autoria do vereador Delfino Araújo, que desmembrava o distrito, criando assim o município de Miracema do Norte, devidamente sancionada pelo prefeito João Reis.

A partir daí, a ‘pacata cidade de Miracema do Norte’ ganhou projeção nacional, confrontando inclusive, sua homônima do Rio de Janeiro, mas o abandono por estar no norte goiano a fez parar no tempo e no espaço.

A exemplo da lenda do pássaro Fênix, que ressurgiu das cinzas, a saga de Miracema estava apena começando:
foi invadida pelas águas do rio Tocantins, em 1980, ‘quando ressurgiu ... das águas’, e depois foi cantada nacionalmente pela Banda Blitz na composição de Evandro Mesquita ‘A Dois Passos do Paraíso’ e serviu de útero e berço para o nascimento do Estado do Tocantins, quando foi primeira capital, embora em caráter provisório, mas em um ano lhe tomaram a capital e foi atirada num caos social.

PRIMEIRA CAPITAL
Quarenta anos depois de sua emancipação (25 de agosto de 1948), Miracema, ainda do Norte, foi escolhida, dia 7 de dezembro de 1988, para ser capital provisória do novo estado – Estado do Tocantins - criado através da Constituição Brasileira, promulgada em 5 de outubro daquele ano.

Uma decisão salomônica do primeiro governador do Estado, José Wilson Siqueira Campos, para evitar uma disputa entre Porto Nacional, Gurupi e Araguaína, que queriam ser capital provisória (quem sabe depois reivindicar ser definitiva) optou por Miracema, terra de seu amigo Raimundo Nonato Pires dos Santos (Raimundo Boi) e próxima à região onde escolheu para edificar uma cidade (Palmas).

Em 1º de janeiro de 1989, já denominada Miracema do Tocantins, passou a ser a primeira capital do Estado, quando nela foram instalados os Três Poderes (Executivo – Legislativo - Judiciário) e estabelecidas as primeiras decisões e soluções do mais novo estado brasileiro, a 26ª estrela da Bandeira do Brasil.

O berço nascedouro do Tocantins, a partir daí, mais uma vez sorriu, sofreu e chorou. A felicidade estampada em sorrisos quando recebia inúmeras pessoas – investidores, aventureiros, empreendedores e trabalhadores em geral – vindas de todas as partes do país, em apenas um ano foi transformada em sofrimento, que levou os miracemenses ao desalento, lhes impondo um choro que parecia eterno.

Na verdade, em contrapartida a um suposto desentendimento entre o primeiro governador do Tocantins, José Wilson Siqueira Campos e o então prefeito de Miracema, Sebastião Borba dos Santos, o Timoneiro do Tocantins teria planejado seus dois anos de mandato no primeiro governo, dividindo esse tempos em dois atos: instalação do Estado em Miracema; e construção da capital definitiva em Palmas. Supõe-se que Siqueira Campos temia que seu sucessor (à época não havia reeleição) preferisse não construir Palmas submetendo Miracema ou outro município como capital definitiva.

Razão pela qual a transferência da Capital para Palmas aconteceu em 1º de janeiro de 1990, pouco mais de seis meses depois que começou a ser construída dia 20 de maio de 1989.

A transferência aconteceu seis meses e alguns dias depois de iniciada a obra, ainda em barracões, sem infraestrutura e de forma improvisada.

A partir dai Miracema do Tocantins passou a conviver com um caos social. Esperanças perdidas, descasos injustos e desdém ao passado recente, consumiram a auto estima da gente miracemense, a confiança nos políticos e o medo de uma cidade falida, que provocou êxodo social.

Uma lei que transforma Miracema em capital por um dia - 7 de dezembro - até os dias de hoje vem tentando adoçar o gosto amargo de uma vida imposta por aqueles que arrancaram abruptamente a capital por causa do capital. Fato que não conseguem, até porque, quando aparecem, vêm de forma incompleta e improvisada.

 
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