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Justiça suíça diz ter ‘indicações concretas’ de envolvimento de Cunha em corrupção

sexta, 06 de janeiro de 2017 107 visualizações
Justiça suíça diz ter ‘indicações concretas’ de envolvimento de Cunha em corrupção

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O Tribunal Penal Federal da Suíça considerou haver "indicações concretas" e suspeitas "óbvias" e “suficientes” de que o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se envolveu em um esquema de corrupção em um negócio da Petrobras na África.

Em uma decisão de novembro – que negou o desbloqueio de contas ligadas ao peemedebista no país europeu –, a Corte detalha como Eduardo Cunha recebeu o equivalente a R$ 4 milhões na Suíça.

O documento foi divulgado recentemente, revelado nesta quinta-feira (5) pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e obtido pela TV Globo.

A transação nos bancos suíços já é foco de uma ação penal da Lava Jato na qual o deputado cassado é réu. O processo está em andamento na primeira instância da Justiça Federal em Curitiba, conduzida pelo juiz Sérgio Moro.

A defesa de Cunha diz que não teve acesso ao documento da Suíça e reafirma que o peemedebista, que está preso em Curitiba desde outubro do ano passado, é inocente. Ainda de acordo com os defensores, a inocência do ex-presidente da Câmara já está cabalmente demonstrada na ação penal a que responde na Justiça brasileira.

A decisão do tribunal suíço diz que 1,3 milhão de francos suíços (mais de R$ 4 milhões) foram transferidos para uma conta cujo beneficiário era “N”, forma oculta como Cunha é identificado no processo que tramita no país europeu.

A transferência foi feita depois que a Petrobras comprou uma parte de uma área de exploração de petróleo em Benin, na África, por US$ 34,5 milhões (equivalentes na cotação desta quinta-feira a R$ 110,7 milhões).

Em outro trecho, o documento afirma que existe uma suspeita razoável de corrupção ativa de "N".

Processo no Brasil

No processo sobre o caso no Brasil, as investigações apontam que o empresário português Idalécio Oliveira ofereceu e pagou propina para viabilizar a venda de parte do campo de petróleo para a Petrobras.

O Ministério Público afirma que o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada atuou em conjunto com Eduardo Cunha para favorecer a empresa de Idalécio.

Ainda segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato, os pagamentos teriam sido feitos pelo operador João Augusto Henriques, que também está preso.

Na ação, já foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Cunha vai ser interrogado por Moro no dia 7 de fevereiro.