Acessibilidade

Deputado pede ao STF para impedir Maia de conduzir eleição na Câmara

sexta, 27 de janeiro de 2017 629 visualizações
Deputado pede ao STF para impedir Maia de conduzir eleição na Câmara

Leitor de áudio

Compartilhe esse conteúdo

O deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR) moveu uma ação nesta quinta-feira (26) no Supremo Tribunal Federal (STF) na qual pede à Corte que impeça o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de conduzir a eleição para a Mesa Diretora da Casa, marcada para 2 de fevereiro.

Kaefer argumenta que Maia, como atual presidente, não pode fixar regras para uma disputa da qual participará, entre as quais a definição sobre o prazo para a formação dos blocos parlamentares; a data da reunião dos líderes para a escolha dos cargos; o prazo para o registro das candidaturas; e o sorteio da ordem dos candidatos da urna eletrônica.

Procurada pelo G1, a assessoria de Maia informou que os questionamentos levantados por Kaefer já foram respondidos pela Advocacia Geral da União (AGU) em outra ação na Justiça Federal que tentava impedir a candidatura dele à reeleição.

A defesa de Maia argumentou, ainda, que a condução do processo e o deferimento de candidaturas cabe à composição da Mesa Diretora do ano anterior à eleição. A assessoria acrescentou, também, que Maia não vai presidir a sessão, se ele confirmar a candidatura.

Embora a votação esteja marcada para a semana que vem, Rodrigo Maia ainda não se diz candidato à reeleição, mas já iniciou uma campanha informal.

O atual presidente também já disse que "caminha" para disputar o cargo e tem oferecido almoços e jantares a parlamentares, além de visitar vários estados e se reunir com lideranças partidárias – em São Paulo, por exemplo, ele se encontrou com o governador, Geraldo Alckmin (PSDB).

Além da ação de Kaefer, outros pedidos já foram levados ao Supremo contra Rodrigo Maia. O Solidariedade, por exemplo, pediu à Corte que proíba o atual presidente da Câmara de se reeleger. Além disso, o deputado André Figueiredo (PDT-CE), candidato a presidente da Casa, solicitou ao STF que Maia sequer seja autorizado a disputar a reeleição.

Os adversários de Rodrigo Maia alegam que o regimento interno da Câmara impede a reeleição na mesma legislatura (a atual termina somente em 2018). Os aliados do presidente argumentam, porém, que ele foi eleito em julho do ano passado, após a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para uma espécie de "mandato-tampão" de seis meses e, portanto, a regra não se aplica a Maia.

O pedido de Kaefer

Na ação movida no STF, Alfredo Kaefer argumenta ser "absolutamente incongruente" que um candidato participe de decisões que envolvem a própria candidatura e as demais.

A ação sugere que a condução do processo interno na Câmara fique com o primeiro substituto legal de Maia (um dos vice-presidentes) que não participe da disputa por cargos na Mesa.

Relatoria

A ação foi encaminhada para análise do ministro Celso de Mello, que também é relator da ação movida por André Figueiredo (PDT).

Como o STF está em recesso, o caso poderá ser analisado até 31 de janeiro pela presidente da Corte, Cármen Lúcia, que está de plantão. Também é possível que a ministra marque para 1º de fevereiro julgamentos pelo plenário de ações sobre a eleição na Câmara.

Apoio de partidos

Mesmo sem Maia declarar oficialmente ser candidato à reeleição, partidos já anunciaram apoio ao atual presidente da Câmara. Nesta quarta, por exemplo, o PRB informou que defende a reeleição de Maia.

Nesta semana, o PSD, mesmo com a candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF), também anunciou apoio a Rodrigo Maia.

Além disso, parte da oposição, incluindo deputados de PT e PCdoB, também cogita apoiar Maia, mesmo o deputado tendo sido a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e feito oposição aos governos Lula e Dilma. O objetivo desses parlamentares é garantir cargos na Mesa Diretora da Câmara.